Por que carregadores compartilhados geram conflitos
O problema raramente é a falta de carregadores; é como eles são ocupados. Um colaborador chega às 8h30 com a bateria em 40%, conecta o carro e vai trabalhar. Às 10h30 o carro já está com a carga completa, mas continua ali até as 18h. Enquanto isso, três colegas ficam dando voltas no estacionamento atrás de um carregador livre.
Isso acontece por três motivos:
- Um carregador de escritório é tratado como uma vaga de dia inteiro, mas uma recarga só precisa de uma ou duas horas. Se a vaga é atribuída por dias inteiros, a maior parte do tempo dela é desperdiçada.
- Não há incentivo para tirar o carro. Sem uma regra clara, ninguém sabe quanto tempo é razoável e ninguém quer ser o primeiro a interromper.
- O trabalho híbrido muda a demanda todos os dias. Uma divisão fixa de segunda a sexta deixa carregadores vazios em alguns dias e com fila em outros.
A solução não é comprar mais carregadores às cegas, e sim aproveitar melhor o tempo dos que você já tem.
Antes de decidir qualquer coisa: meça a demanda real
Quatro números mostram se o seu problema é de quantidade ou de divisão:
- Quantas pessoas têm um carro elétrico ou híbrido plug-in e querem carregar no escritório.
- Quanta energia cada uma precisa por dia. Um trajeto de ida e volta de 40 km, a 15 a 20 kWh/100 km, dá de 6 a 8 kWh.
- Quantos dias por semana elas vão ao escritório.
- A que horas chegam: se todos chegam entre 8h e 9h30, o que importa é o pico, não a média diária.
Um exemplo com números iniciais que você pode trocar pelos seus: um carregador monofásico de 32 A entrega cerca de 7,4 kW (230 V × 32 A). Um motorista que precisa de 7 kWh leva quase uma hora. Em um dia de oito horas, com 15 minutos de intervalo entre as faixas, cabem cerca de 6 recargas por carregador na teoria e de 4 a 6 na prática.
Se você tem 30 motoristas que precisam, em média, de 1,5 hora e vão ao escritório três dias em cada cinco, a demanda diária é 30 × 1,5 × 0,6 = 27 horas de carregador. Dividindo por cerca de 6 horas úteis por carregador, dá algo em torno de 4 ou 5 carregadores. Já por ordem de chegada, cada carro fica conectado o dia todo: com 18 motoristas presentes por dia (30 × 0,6), você precisaria de até 18 carregadores para que ninguém ficasse sem recarga. Esses números são indicativos: os horários de chegada e os modelos de carro podem mudar o resultado.
Lembre-se de que muitos carros não aceitam mais de 7 a 11 kW em AC, por isso um carregador de 22 kW raramente é usado em toda a sua capacidade em um escritório.
Cinco modelos para dividir os carregadores
| Modelo | Como funciona | Vantagem | Desvantagem |
|---|---|---|---|
| Por ordem de chegada | Quem chega primeiro conecta. | Não exige gestão. | Um carro com a carga completa pode ocupar o carregador o dia todo. Gera discussões. |
| Carregador fixo por pessoa | Cada motorista tem o seu. | Previsível. | Desperdício quando a pessoa trabalha em casa. Não escala. |
| Turnos fixos | Cada pessoa tem dias ou horários atribuídos. | Fácil de explicar. | Rígido com o trabalho híbrido. Se alguém falta, o carregador fica parado. |
| Reserva por faixa de horário | Você reserva um horário de início e uma duração máxima. | Justo e aproveita cada hora. Se adapta ao trabalho híbrido. | Exige uma ferramenta, e todos precisam respeitar a sua faixa. |
| Lista de espera / rodízio | Quem termina avisa a próxima pessoa. | Funciona com poucos usuários. | Depende de boa vontade e de mensagens constantes. |
Com menos de cinco motoristas por carregador, um rodízio bem combinado pode bastar. A partir daí, a reserva por faixa de horário é a única opção que mantém a divisão justa sem que alguém precise arbitrar todos os dias.
Uma política de uso em 7 regras (pronta para copiar)
Seja qual for o modelo escolhido, estas regras evitam quase todos os conflitos. Você pode copiá-las, adaptá-las e publicá-las na intranet.
- Quem pode usar os carregadores. Por exemplo: colaboradores com carro elétrico ou híbrido plug-in. Decida se visitantes e veículos da frota entram.
- Duração máxima por faixa. Uma ou duas horas cobrem a maioria das necessidades diárias. Quem precisar de mais reserva duas faixas seguidas.
- Janela de reserva. Limite com quantos dias de antecedência se pode reservar (por exemplo, 3 dias) para que ninguém reserve a semana inteira.
- Tolerância para tirar o carro. Quinze minutos depois do fim da faixa; depois disso, a vaga volta a ficar livre para a próxima pessoa.
- Se você não vai usar sua faixa, cancele. Uma faixa cancelada a tempo é uma recarga para um colega.
- Prioridades justificadas. Por exemplo, pessoas com mobilidade reduzida ou veículos de serviço. Documente-as; não as improvise.
- Como relatar um defeito. Um carregador quebrado que ninguém relata bloqueia todo mundo. Defina um canal claro e quem responde.
Uma regra que não pode ser verificada não será cumprida. Por isso cada faixa deve ter um nome e um horário que todos possam ver.
Quem paga a energia
Há três opções comuns:
- Gratuito para o colaborador, como benefício. É a mais simples e costuma ser aceitável quando o consumo é baixo.
- Taxa fixa por faixa ou por mês. Cobre o custo médio sem precisar medir cada recarga.
- Pagamento por kWh usado. É a mais precisa, mas exige carregadores com medidor e um sistema que registre cada sessão. Muitos carregadores se conectam a um software central por meio do OCPP, um protocolo aberto para gerenciar carregadores de diferentes fabricantes.
Decida isso antes de instalar, porque define quais carregadores você vai comprar. Além disso, o tratamento tributário de oferecer recarga gratuita aos colaboradores varia de país para país, então consulte seu contador ou consultor.
Importante: uma ferramenta de reserva de estacionamento decide quem carrega e quando; ela não mede nem cobra os kWh. Isso fica a cargo do sistema dos próprios carregadores. São duas camadas que se complementam.
Você é obrigado a instalar pontos de recarga?
Cada vez mais. A Diretiva (UE) 2024/1275 relativa ao desempenho energético dos edifícios (a EPBD reformulada) exige que os Estados-Membros imponham infraestrutura de recarga em edifícios não residenciais. Para edifícios não residenciais existentes com mais de 20 vagas de estacionamento, a diretiva fixa a data de 1º de janeiro de 2027: um ponto de recarga para cada 10 vagas de estacionamento ou, como alternativa, dutos para pelo menos 50% das vagas. Para edifícios novos ou que passam por grandes reformas, os requisitos são mais rigorosos.
Os detalhes (quantos pontos, se a pré-instalação é aceita no lugar de um carregador, exceções) dependem de como cada país transpôs a diretiva. Consulte as normas nacionais e regionais que se aplicam a você antes de dimensionar a instalação. Se você vai precisar instalar carregadores, é melhor desenhar a política de uso ao mesmo tempo.
Como fazer isso com o LoomiSpot
O LoomiSpot é um software de gerenciamento de estacionamento para escritórios que inclui a reserva de carregadores de veículos elétricos por faixa de horário. Assim as regras acima são aplicadas:
- Marque qualquer vaga como carregador EV e reserve por horário de início e duração (1, 2, 4 horas ou o que você permitir). Vários carros se revezam no mesmo carregador no mesmo dia.
- A vaga volta a ficar livre quando a faixa termina, sem que ninguém precise fazer nada.
- Você decide a janela de reserva: com quantos dias de antecedência as pessoas podem reservar.
- Registre ocorrências pelo app: se um carregador não funciona, o usuário registra o problema, acompanha o status (aberto ou resolvido) e conversa com os admins em uma conversa.
- Web, iOS e Android com a mesma interface para admins e colaboradores.
A reserva de carregadores EV por faixa de horário está incluída no plano grátis, que permite até 10 vagas e 15 usuários. O LoomiSpot gerencia quem carrega e quando; ele não mede os kWh nem cobra a energia.
Perguntas frequentes
De quantos carregadores EV uma empresa precisa?
Depende de quantos motoristas de carros elétricos você tem, de quanta energia eles precisam por dia e de quantos dias vão ao escritório. Como referência, com faixas de uma hora um carregador de 7,4 kW atende de 4 a 6 motoristas por dia. Por ordem de chegada, normalmente é ocupado por apenas um. Meça a sua demanda antes de comprar.
Como evitar que um carro ocupe o carregador o dia todo?
Com uma duração máxima por faixa, uma tolerância curta para tirar o carro (por exemplo, 15 minutos) e reserva antecipada. Se a faixa está ligada a uma pessoa e a um horário, o carregador é liberado quando ela termina e o próximo motorista pode usá-lo.
É melhor oferecer a recarga de graça ou cobrar por ela?
De graça é o mais simples e funciona quando o consumo é baixo. Uma taxa fixa ou a cobrança por kWh distribui melhor o custo à medida que o uso cresce, mas exigem carregadores com medidor e um sistema de gestão. Decida antes de instalar e confira o tratamento tributário no seu país.
Que potência de carregador serve para um escritório?
Para uso diário, um carregador AC de 7,4 kW (monofásico) costuma bastar: entrega cerca de 7 kWh em uma hora. Muitos carros não aceitam mais de 7 a 11 kW em AC, então um carregador de 22 kW raramente é usado em toda a sua capacidade.
É possível gerenciar carregadores EV com uma planilha?
Com um ou dois carregadores e poucos usuários, sim. À medida que o número de motoristas cresce, uma planilha não libera as faixas sozinha, não envia lembretes e não deixa claro quem reservou o quê em cada momento. É aí que vale a pena migrar para uma ferramenta de reservas.
Existe obrigação legal de instalar pontos de recarga no estacionamento de uma empresa?
Sim. A Diretiva (UE) 2024/1275 exige que, até 1º de janeiro de 2027, os edifícios não residenciais com mais de 20 vagas de estacionamento tenham um ponto de recarga para cada 10 vagas ou dutos para pelo menos 50% delas. Os detalhes dependem da transposição de cada país e das normas nacionais, então confira o texto que se aplica a você.